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Correio da Manhã

Sociedade
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Câmara de Sintra disponível para receber refugiados do Afeganistão

Autarca disse que o município não pode "ficar indiferente ao drama civilizacional e humanitário vivido por milhares de famílias".
Lusa 17 de Agosto de 2021 às 18:55
Câmara de Sintra justifica cobrança da taxa turística com os investimentos realizados e a realizar no centro histórico
Câmara de Sintra justifica cobrança da taxa turística com os investimentos realizados e a realizar no centro histórico FOTO: Bruno Colaço 
A Câmara Municipal de Sintra, no distrito de Lisboa, manifestou hoje disponibilidade para acolher até cinco famílias afegãs, ao abrigo do plano de acolhimento e integração de migrantes do município.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da Câmara de Sintra, Basílio Horta (PS), disse que o município não pode "ficar indiferente ao drama civilizacional e humanitário vivido por milhares de famílias no Afeganistão".

"Já comunicamos ao Governo a nossa disponibilidade para acolher no nosso concelho até cinco famílias afegãs, ao abrigo do nosso plano de acolhimento e integração de migrantes. Eles terão a mesma proteção e direitos de qualquer munícipe de Sintra", anunciou.

Portugal vai integrar a operação da União Europeia (UE) e da NATO para proteger cidadãos no Afeganistão e está disponível para receber afegãos, disse no domingo o ministro da Defesa, sublinhando que o Governo acompanha a situação "com grande preocupação" .

João Gomes Cravinho referiu também que, "neste primeiro momento", o Governo português está "a dar conta às autoridades da UE, da NATO e das Nações Unidas" da sua "disponibilidade para apoiar, para receber afegãos em território português".

A chegada dos talibãs a Cabul no domingo precipitou a saída do país do Presidente afegão, Ashraf Ghani, após terem tomado o controlo de 28 das 34 capitais provinciais em dez dias, e sem grande resistência das forças de segurança governamentais, no âmbito de uma grande ofensiva iniciada em maio - altura em que começou a retirada das tropas norte-americanas e da NATO do país, que deverá ficar concluída no final deste mês.

Um porta-voz do movimento islâmico radical, que governou no Afeganistão entre 1996 e 2001, disse no domingo à televisão pública britânica BBC que os talibãs pretendem assumir o poder no Afeganistão "nos próximos dias", através de uma "transição pacífica", 20 anos após terem sido derrubados por uma coligação liderada pelos Estados Unidos, pela sua recusa em entregar o líder da Al-Qaida, Osama bin Laden, após os atentados de 11 de setembro de 2001.

Na segunda-feira numa mensagem de vídeo, o 'mullah' Baradar Akhund, chefe do gabinete político talibã no Qatar, fez a primeira declaração pública de um líder talibã após a conquista do país, anunciando o fim da guerra no Afeganistão, com a vitória dos talibãs, após a fuga no domingo do Presidente e a captura de Cabul.

Com a partida de Ghani, um grupo de líderes políticos formou o Conselho de Coordenação para a transição de poder para os talibãs, composto pelo ex-presidente afegão Hamid Karzai, o presidente do Alto Conselho para a Reconciliação, Abdullah Abdullah, e o líder do partido Hizb-e-Islami e antigo senhor da guerra, Gulbuddin Hekmatyar.

No entanto, os talibãs não forneceram, até agora, informações sobre como funcionará o processo de transição ou a tomada do poder.

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