Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
7

Irmãos terroristas detidos em Lisboa com máxima segurança na prisão

Yasir e Ammar Ameen, de 32 e 34 anos, transferidos para cadeia de Monsanto.
Miguel Curado 4 de Outubro de 2021 às 01:30
A carregar o vídeo ...
Rodolfo Reis e a arbitragem no Dragão: "Queriam tirar o FC Porto do título!"
A passagem pelo Estabelecimento Prisional de Lisboa dos irmãos iraquianos Ammar e Yasir Ameen, de 34 e 32 anos, durou pouco mais que 15 dias. Após a quarentena, para prevenção do contágio da Covid-19, os dois suspeitos de terrorismo detidos a 1 de setembro em Lisboa - terão pertencido ao Daesh em Mossul - foram transferidos para a cadeia de alta segurança de Monsanto, também na capital. É lá que vão ficar por tempo indeterminado. Já começaram a cumprir uma rotina de segurança máxima, que os obriga a uma permanência de 23 horas por dia na cela.

A cadeia de Monsanto é a única, das 49 geridas no País pela Direção-Geral dos Serviços Prisionais, classificada como de ‘segurança especial’. Alberga cerca de uma centena de reclusos, todos fechados em celas individuais. Ammar e Yasir Ameen não são exceção e desde finais de setembro que estão em reclusão nessa prisão.

Quando viram autorizada a transferência, os dois irmãos iraquianos chegaram a Monsanto já com celas atribuídas. Assim como os outros reclusos, passaram por uma zona de revista, obrigatoriamente feita por desnudamento. Os pertences pessoais de cada um ficaram à guarda do estabelecimento prisional e os dois irmãos receberam um fardamento próprio para os presos e um kit de higiene pessoal.

O CM sabe que Ammar e Yasir Ameen fazem as três refeições diárias nas celas. Se quiserem, poderão aceder a uma biblioteca e um ginásio. As visitas (no período que passaram na cadeia de Lisboa apenas receberam a do advogado, Varela de Matos) são permitidas em salas preparadas para o efeito, conhecidas como ‘palratórios’.

As visitas para Ammar e Yasir Ameen têm de passar pela vigilância apertada de guardas prisionais, bem como por um sistema de videovigilância central e vários detetores de metais. Cada visita é controlada ao segundo e está proibido qualquer contacto físico entre reclusos e visitantes. Os dois suspeitos de terrorismo têm, por fim, direito a recreio controlado em grupos de três reclusos, sempre vigiados pelos guardas.

PORMENORES
Refugiados
Yasir e Ammar Ameen saíram do Iraque em 2016 e chegaram a Portugal em 2017, após passarem pela Síria, Turquia e Grécia. Os irmãos iraquianos receberam ajuda através do programa nacional de apoio a refugiados.

Só um teve estatuto
Apenas Yasir estava em vias de obter o estatuto oficial de refugiado. A Ammar, essa possibilidade foi negada. Ambos tinham casa paga pelo Estado, e também pensões de subsistência.

Reagiram à PJ
Quando a PJ entrou pela casa dos iraquianos para os deter, ambos reagiram com alguma violência. Acabaram, no entanto, por ser manietados. O mais velho tinha revólver.

Começaram jovens
O recrutamento de Yasir e Ammar deu-se quando ambos eram jovens, na zona de Mossul, no Iraque. A família era ligada ao Daesh e o irmão mais velho tinha posição de destaque. Não foram combatentes, mas sim da ‘polícia dos costumes’.

Apreensões feitas
Um computador e diversa documentação foram apreendidos pela PJ aos dois irmãos iraquianos. A casa em que ambos residiam foi passada a pente fino, em busca de provas.

Direção da cadeia escolhe parceiros
O recreio dos reclusos em Monsanto é um processo meticuloso. Cada preso só pode passar uma hora a céu aberto, com a companhia de outros dois detidos escolhidos pela direção do estabelecimento.

Estarão defendidos da pena de morte
Apesar de o Iraque ter pedido extradição dos irmãos Ameen, ambos estarão defendidos pela lei portuguesa. A possibilidade de pena de morte impede essa saída.

Secreta liga irmãos a ataque na Alemanha
Relatórios do SIS, de 2017 e 2018, após denúncia ao SEF de outro refugiado, já apontavam os irmãos como sendo do Daesh e ligados à preparação de um ataque na Alemanha.

Recurso da prisão preventiva analisado
Logo quando os clientes entraram na cadeia de Lisboa, a 1 de setembro, o advogado de Yasir e Ammar Ameen disse que ia recorrer da prisão preventiva. O causídico disse que ia avançar com pedido de revisão na Relação de Lisboa.

Suspeitos de crimes contra humanidade
Adesão a organização terrorista e crimes contra a humanidade são alguns dos indícios de crimes que pendem sobre Yasir e Ammar Ameen. A ordem jurídica portuguesa prevê prisão preventiva para ambos, que foi aplicada.

‘Vizinhos’ de outros dois terroristas
u A cadeia de alta segurança de Monsanto, em Lisboa, alberga mais dois terroristas condenados, que irão agora ser ‘vizinhos’ de Yasir e Ammar Ameen. Trata-se de Rómulo Costa e Iqbal Singh, respetivamente um luso-guineense e um cidadão indiano.
O primeiro foi condenado a nove anos de prisão, em dezembro de 2020, nas Varas Criminais de Lisboa. O coletivo de juízes considerou-o culpado de adesão e financiamento de organizações terroristas (Daesh). Cumpre prisão preventiva desde 2018 e aguarda o resultado do recurso de absolvição, ou atenuação de pena, feito para o Supremo Tribunal de Justiça.
Já Iqbal Singh tem pendente a extradição para a Índia. É suspeito de financiar, com dinheiro do tráfico, movimentos terroristas. Enfrenta a pena de morte, pelo que não será extraditado se a pena não for comutada a um máximo de 25 anos.
Ver comentários