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Correio da Manhã

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Vítimas lembradas em profundo silêncio

Fez ontem dois anos. Os atentados de Madrid, a 11 de Março de 2004, provocaram 191 mortos e um sentimento de revolta popular que dura até hoje. Ontem, na capital espanhola, foram solenemente lembrados aqueles que pereceram por causa do ódio. Cerimónias evocativas assinalaram a data, num misto de emoção e reverência para com a memória das vítimas.
12 de Março de 2006 às 00:00
O segundo aniversário dos atentados de Madrid foi assinalado num ambiente de emoção, recolhimento e respeito pela memória das vítimas
O segundo aniversário dos atentados de Madrid foi assinalado num ambiente de emoção, recolhimento e respeito pela memória das vítimas FOTO: Susana Vera, Reuters
No Bosque dos Ausentes, situado no Parque do Retiro, foram guardados cinco minutos de silêncio e deposta uma coroa de flores, naquela que foi a principal cerimónia evocativa das vítimas dos ataques. As flores foram depostas ao som da peça ‘O canto dos pássaros’, interpretada pela jovem violoncelista Blanca Coínes.
No total são 192 os ciprestes e as oliveiras, plantados no ano passado, que evocam a memória das 191 vítimas mortais dos ataques e do polícia morto num apartamento de Leganés, durante o cerco a suspeitos do 11-M que se fizeram explodir.
Além das centenas de familiares das vítimas que participaram na cerimónia, marcaram ainda presença os principais líderes políticos do país, incluindo o primeiro-ministro, José Luis Zapatero, e o líder do Partido Popular, Mariano Rajoy. Um profundo silêncio e um ambiente de recolhimento e respeito dominaram toda a cerimónia, e até os líderes políticos se abstiveram de proferir quaisquer discursos. Contudo, Zapatero conversou demoradamente com familiares das vítimas e alguns dos feridos.
Anteriormente, numa curta cerimónia na Praça do Sol, no centro da capital, tinham já sido recordadas as vítimas e as centenas de voluntários que ajudaram os bombeiros e a Polícia após o 11-M. A presidente da Comunidade de Madrid, Esperanza Aguirre, presidiu, na Real Casa dos Correios – na praça onde está o ‘quilómetro zero’, que marca o centro do território espanhol –, a uma cerimónia que decorreu ao som do ‘Requiem’ de Mozart e em que participaram representantes das associações de apoio às vítimas do 11-M e vários líderes políticos regionais e nacionais.
JUAN CARLOS
O rei Juan Carlos de Espanha e a rainha Sofia assistiram, sexta-feira à noite, na capital espanhola, ao concerto da London Philarmonic Orchestra em memória das vítimas dos atentados de Madrid e de Londres. O monarca falou com os representantes das famílias das vítimas e mostrou-se solidário com o seu sofrimento.
SOLTAS
ACUSAÇÕES EM ABRIL
O auto de acusação deverá ser publicado até ao próximo dia 10 de Abril. Para que conste, refira-se que o processo 20/04 tem um total de nada menos de 200 volumes, o que corresponde a mais de 80 mil páginas.
JULGAMENTO EM 2007
Segundo fontes próximas do processo, o julgamento dos suspeitos que vierem a ser formalmente acusados pelo juiz Juan del Olmo deverá começar no início do próximo ano.
MUITAS DÚVIDAS
Uma sondagem ontem publicada no diário ‘El Mundo’ mostra que mais de 66% dos espanhóis ainda não sabe, realmente, o que se passou na manhã de 11 de Março de 2004, considerando que muitas dúvidas continuam ainda por esclarecer.
LIGAÇÃO COM A ETA
A possível ligação entre os atentados de 11 de Março e a ETA, já amplamente rejeitada por vários responsáveis espanhóis, foi um dos elementos centrais de um polémico documentário emitido pela cadeia madrilena Telemadrid, que suscitou protestos de trabalhadores.
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