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Covid-19 apagou anos de progresso na expetativa de vida, conclui estudo

Homens sofreram quedas maiores do que as mulheres, na maioria dos 29 países analisados.
Correio da Manhã 27 de Setembro de 2021 às 13:45
Covid-19
Covid-19 FOTO: Getty Images

A pandemia do novo coronavírus causou a maior redução na expectativa de vida na Europa Ocidental desde a Segunda Guerra Mundial, de acordo com um estudo citado pelo The GuardianAs perdas na expectativa de vida excederam as registadas na época da dissolução do bloco oriental na Europa Central e Oriental, de acordo com a pesquisa, liderada por cientistas do Centro Leverhulme de Ciências Demográficas de Oxford.

Dados de 29 países, maioritariamente da Europa, dos Estados Unidos e do Chile, que foram analisados por cientistas, registaram reduções na expectativa de vida, no ano passado, que abalaram anos de progresso. Os maiores declínios na expetativa de vida, ocorreram entre os homens nos Estados Unidos, com um declínio de 2,2 anos em relação aos níveis de 2019, seguidos pelos homens lituanos (1,7 anos).

O Dr. José Manuel Aburto, co-autor do estudo, disse: "Para alguns países da Europa Ocidental, como Espanha, Inglaterra, País de Gales, Itália, Bélgica, entre outros, a última vez que registaram declínios desta magnitude na expectativa de vida, à nascença, e no espaço de um ano, foi durante a II Guerra Mundial."

Os resultados estão incluídos num artigo publicado no International Journal of Epidemiology, após a análise dos 29 países que publicaram os registos oficiais de óbitos no ano passado. Um total de 27 desses países sofreram reduções na expectativa de vida.

Na semana passada, o Instituto Nacional de Estatísticas Britânico (ONS) estimou que a expectativa de vida dos homens no Reino Unido caiu pela primeira vez em 40 anos, devido ao impacto da Covid-19. Espera-se que um menino nascido entre 2018 e 2020 viva até os 79 anos, contra os 79,2 para o período de 2015 a 2017, de acordo com o ONS.

Aburto disse ainda que a escala das perdas na expectativa de vida foi gritante na maioria dos países estudados, com 22 deles sofrendo perdas maiores do que em metade do ano de 2020. "Mulheres em oito países e homens em 11 países tiveram perdas superiores a um ano. Para contextualizar, levou em média 5,6 anos para esses países atingirem um aumento de um ano na expectativa de vida recentemente: o progresso foi eliminado ao longo do ano de 2020 devido à pandemia da Covid-19.", acrescentou.

A Dra. Ridhi Kashyap, também co-autora principal do estudo, disse que os investigadores estavam cientes de vários problemas relacionados com a contagem de mortes por Covid, como testes inadequados ou classificações incorretas. No entanto, ela acrescentou que "o facto dos nossos resultados destacarem um impacto tão grande, que é diretamente atribuível à Covid-19, mostra o quão devastador foi para muitos países". Apelou ainda: "Pedimos, urgentemente, a publicação e disponibilidade de mais dados desagregados de uma gama mais ampla de países, incluindo países de baixo e médio rendimento, para compreender melhor os impactos da pandemia a nível global."

As estimativas do ONS, do início deste mês, mostraram variações entre as diferentes partes do Reino Unido, em termos de expectativa de vida, que se refere à idade média em que um recém-nascido viveria se as taxas de mortalidade que se registam atualmente se perpetuassem por toda a sua vida. A expectativa de vida dos homens caiu em Inglaterra, de 79,5 anos em 2015-17 para 79,3 anos em 2018-2020, e na Escócia, de 77 para 76,8, no mesmo período. Mas aumentou ligeiramente na Irlanda do Norte de 78,4 para 78,7, enquanto permaneceu praticamente inalterada no País de Gales, registando 78,3.

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