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Correio da Manhã

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Apagadas do espaço público: O pesadelo das mulheres no Afeganistão após tomada de posse dos talibãs

"O medo instala-se no meu peito como um pássaro preto": Mulheres recorrem às redes sociais para demonstrar a dor que sentiam por ver o país cair nas mãos dos talibãs.
Marta Ferreira 17 de Agosto de 2021 às 10:01
Imagens de trabalhadores de um salão de beleza a apagar grandes fotos de mulheres da parede já correm mundo
Imagens de trabalhadores de um salão de beleza a apagar grandes fotos de mulheres da parede já correm mundo
Imagens de trabalhadores de um salão de beleza a apagar grandes fotos de mulheres da parede já correm mundo
Imagens de trabalhadores de um salão de beleza a apagar grandes fotos de mulheres da parede já correm mundo
Imagens de trabalhadores de um salão de beleza a apagar grandes fotos de mulheres da parede já correm mundo
Imagens de trabalhadores de um salão de beleza a apagar grandes fotos de mulheres da parede já correm mundo

O Emirado islâmico já anunciou esta terça-feira que quer mulheres no governo e não quer que estas sejam vítimas, no entanto, ficou por explicar em que moldes isso aconteceria. O que é certo, para já, é que o futuro das mulheres afegãs é uma incógnita e não se vê indícios de que seja um futuro promissor. 

Teme-se o retrocesso de décadas de direitos humanos e um apagar do papel da mulher na sociedade que mesmo com pouco mais de 24 horas da tomada de posse dos talibãs em Cabul já se faz notar. Um exemplo disso mesmo é o caso de Clarissa Ward, jornalista da CNN, que esta segunda-feira reportou alguma "tensão" por ser mulher e estar nas ruas da capital afegã. A repórter chega a afirmar que foi mandada desviar-se pelos insurgentes.



Aisha Khurram, uma ex-representante de 22 anos da juventude nas Nações Unidas, está a meses de se licenciar na Universidade de Cabul. À Agência France-Presse (AFP) revela não ter dormido na noite de domingo para segunda-feira após os talibãs terem assumido o controlo do país. O som de tiroteios, os aviões de evacuação e os pensamentos sobre o dia que "despedaçou as nossas almas e espíritos" não a deixaram dormir. 

"Foi como o dia do juízo final para toda a nação ver tudo desabar num piscar de olhos", disse à AFP via Twitter esta segunda-feira.

Aisha admite temer o futuro para si e para outras estudantes. "O mundo e os líderes afegãos falharam com a geração mais jovem do Afeganistão da maneira mais cruel que se possa imaginar", disse. "É um pesadelo para mulheres com estudos que imaginaram um futuro melhor para si mesmas e para as gerações vindouras", acrescenta. 

Apagadas do espaço público
Em Cabul, as imagens de trabalhadores de um salão de beleza a apagar grandes fotos de mulheres da parede já correm mundo. Este apagar da mulher do espaço público faz antever um futuro pouco otimista para as afegãs.

Um reviver a história e o pesadelo
No passado, sob a lei do sharia, a lei islâmica, às mulheres era-lhes negada a educação e o emprego. Os rostos eram obrigatoriamente cobertos em público e era proibido que saíssem de casa sem a companhia de uma figura masculina. A liberdade era praticamente nula e as execuções públicas aplicavam-se sem piedade a mulheres adúlteras. 

Nas execuções havia ainda apedrejamentos e as mulheres era chicoteadas em praças e estádios da cidade. Duas décadas depois, o progresso que se fez nas cidades, com as mulheres a chegarem às universidades e a arranjarem trabalhos com cargos relevantes, está em risco de retroceder.

Nas últimas 24 horas, mulheres proeminentes em Cabul recorreram às redes sociais para expressar a dor que sentiam por um país e por um modo de vida que volta a estar nas mãos dos talibãs.

"O medo instala-se no meu peito como um pássaro preto", disse Muska Dastageer, professora da Universidade Americana do Afeganistão. "[O passáro] abre as suas asas e não se consegue respirar", acrescenta.

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