Aperta cerco à relação Sócrates, BES e PT
Pagamentos suspeitos do GES remontam a 2006, data da OPA da Sonae à PTSuspeitas. Triângulo envolvendo ex-primeiro-ministro atravessa vários processos judiciais.
Por Ana Luísa Nascimento|06.09.18
O Ministério Público está a passar a pente-fino a relação entre José Sócrates e a PT, que levanta suspeitas desde, pelo menos, 2006, muito antes do negócio com a brasileira Oi, em 2010, e envolve também o Grupo Espírito Santo (GES).
Tal como o CM já noticiou, as autoridades suspeitam que Sócrates tenha recebido luvas do GES, liderado por Ricardo Salgado até 2014, correspondentes a pagamentos de favores em diversos negócios em que o ex-primeiro-ministro esteve ao lado dos interesses da família Espírito Santo.
O ‘Expresso’ noticiou que as suspeitas sobre os pagamentos a Sócrates já remontam a 2006, data em que o GES, como um dos maiores acionistas da PT, conseguiu vingar os seus interesses no caso da OPA da Sonae sobre a PT. Este triângulo PT, GES e Sócrates aparece novamente num outro inquérito, Face Oculta, quando se descobre, através de escutas a Armando Vara, que Sócrates estava por trás da intenção da PT de comprar a TVI, negócio que o BES estava disponível para financiar.
Os procuradores entenderam que estava em causa um crime de atentado contra o Estado de Direito, mas a investigação foi travada por Pinto Monteiro e Noronha Nascimento. Neste caso, o principal interlocutor de Sócrates era Rui Pedro Soares, antigo administrador da PT, que acaba por estar na origem do caso Marquês, devido a uma transferência de 600 mil euros de Santos Silva para uma conta sua.