Pai de Éder condenado a prisão perpétua
Filomeno Lopes tinha 36 anos quando assassinou Domingas.
Por Sérgio A. Vitorino|20.07.16
Louco de ciúmes, Filomeno António Lopes estrangulou a companheira no carro, bateu-lhe com uma tranca de volante e atirou o corpo ao rio na cidade de Great Yarmouth, Inglaterra.
O cadáver de Domingas Olivais, então com 30 anos, foi encontrado dias depois por acaso: a maré que o deveria ter arrastado para o mar atirou-o caprichosamente para um banco de areia. Foi o princípio do fim de Filomeno, pai do último herói nacional: Éder, que dia 10 marcou o único golo na final do Europeu de futebol (1-0 à França) dando o título inédito a Portugal.
São os pormenores que faltavam à história de sofrimento de Éder, que tornou público, após a final, que tinha o pai encarcerado por homicídio. "O meu pai está preso desde os meus 12 anos. A minha madrasta faleceu e ele foi acusado. Foi condenado... acho que a 16 anos", contou.
O crime ocorreu em abril de 2002 e Filomeno Lopes foi pouco depois preso e condenado, em outubro de 2003, a prisão perpétua – o que em Inglaterra não implica necessariamente a vida atrás das grades. O tribunal de Norwich, e depois uma instância de apelo em Londres, decidiram que Filomeno não poderia pedir a liberdade condicional antes de cumpridos 16 anos da pena. O que, no seu caso, só ocorrerá dentro de dois anos.
Os mesmos tribunais deram como provado que Filomeno foi buscar a companheira Domingas ao emprego. Ter-se-á seguido a discussão, com o homem, então com 36 anos (agora 50), movido por ciúmes a estrangular primeiro e depois matar a madrasta de Éder com a tranca do volante do carro. O corpo foi atirado ao rio Bure. Mas não seguiu para o mar devido às marés vivas. Acabou encontrado por turistas de um cruzeiro fluvial.