Milhões de Sócrates 'lavados' em Angola
Negócio 'Kanhangulo' envolveu Bataglia e rendeu comissão de três milhões a Santos Silva.
Por Tânia Laranjo|21.07.16
Três milhões de euros, vindos diretamente de Hélder Bataglia, entraram nas contas de Carlos Santos Silva. O Ministério Público diz que o dinheiro se destinava a José Sócrates e ambos usaram o grupo Lena para tornar a ‘passagem’ legal.
O negócio envolveu a venda de um imóvel em Luanda – cujo negócio foi denominado de ‘Kanhangulo’ – e passou por vários contratos fictícios. "As partes pretendem alegadamente fazer crer que se tratam de contratos reais.
No entanto, tudo indicia que se tratam de meros instrumentos para retirarem dinheiro de Angola para a esfera de Carlos Santos Silva e deste para os interesses de José Sócrates", pode ler-se num dos últimos despachos proferidos por Rosário Teixeira no âmbito do processo Marquês.
A história deste negócio é contada pelos e-mails apreendidos no computador de Carlos Santos Silva. Que nada tinha formalmente a ver com o Grupo Lena, mas que guardava a documentação do grupo de Leiria.
O primeiro e-mail é datado de 30 de dezembro de 2010. A Angola Investimento Imobiliário SA – detida pelo Grupo Lena – comprometeu-se a vender à Eninvest – Investimentos Imobiliários – de Hélder Bataglia um prédio situado em Luanda.
Enquanto isso, no mesmo dia era assinado outro contrato. A Angola Investimento Imobiliário SA – do Grupo Lena – estava disposta afinal a pagar 40 por cento do preço final a Carlos Santos Silva, por ter intermediado o negócio. A empresa XLM receberia 12 milhões.
A 2 de maio do ano seguinte, Bataglia não reforçou o sinal e perdeu os oito milhões. Três milhões passaram logo para Santos Silva, embora o prédio fosse depois vendido ao BES Angola. Nesse negócio, a venda fez-se por 12 milhões, mas oito (o dinheiro de Bataglia) ficaram cativos no BESA.