Meta do défice causa impasse na Banca
Garantia de saída do procedimento por défices excessivos em 2016 é prioridade para o Governo.
Por Miguel Alexandre Ganhão e Pedro H. Gonçalves|21.07.16
A prioridade absoluta do Governo é que Portugal saia do procedimento por défices excessivos já este ano. Este propósito é várias vezes reiterado na carta que o ministro das Finanças, Mário Centeno, enviou ao comissário Pierre Moscovici com a defesa de Portugal às sanções de Bruxelas.
A recapitalização da Caixa Geral de Depósitos (CGD) e a venda do Novo Banco são dossiês que se encontram dependentes daquele objetivo fundamental. O Executivo de António Costa quer garantir junto de Bruxelas que a injeção de capital da CGD é necessária, mas que não contará para o défice de 2016, e que o acerto de contas com o Fundo de Resolução na venda do Novo Banco também não terá impacto nas contas públicas. Aliás, a carta de Centeno não teve reflexos nos candidatos à compra do Novo Banco, apurou o CM.
Passos Coelho veio ontem reagir à gestão dos dossiês bancários. O líder do PSD convidou António Costa "a exercer o seu mandato de primeiro-ministro com outra serenidade e a escolher melhor as palavras que utiliza", e considerou que aquilo que se está a passar com a Caixa Geral de Depósitos "é intolerável" e que "aquilo que se está a passar na véspera de venda do Novo Banco é quase criminoso". O líder da oposição acrescentou que o que está a acontecer hoje com o sistema bancário "não tem comparação face à situação de 2011".
Hoje, o Banco Central Europeu (BCE) terá a sua primeira reunião após o Brexit e será inevitável uma análise ao estado da Banca europeia, em particular em Portugal e na Itália, após o Fundo Monetário Internacional (FMI) ter dito no seu ‘Economic Outlook’ que a fragilidade daqueles sistemas bancários é "um risco para a economia mundial".