Luxos de Sócrates intrigam Justiça
Apreendidos diversos elementos nas entidades bancárias.
Por Tânia Laranjo|22.07.16
Buscas à Haitong, de José Maria Ricciardi, e à Caixa Banco de Investimento, do Grupo CGD. A segunda fase da operação Marquês visa agora a forma como José Sócrates mantém um elevado estilo de vida e também os negócios que envolveram a entrada da Portugal Telecom na brasileira Oi.
As suspeitas estão consolidadas na investigação que dura há mais de dois anos. Estão apreendidos mais de 17 milhões a Carlos Santos Silva – que a investigação diz pertencerem a José Sócrates – mas os investigadores querem saber se há alguma forma de os arguidos estarem a aceder aos milhões. Isto porque foi detetado que os lucros de uma carteira de títulos, em nome de Santos Silva, está precisamente no banco chinês. E que aquelas verbas não estão apreendidas.
As autoridades vão mais longe. Como é possível Sócrates manter o mesmo estilo de vida: um filho a estudar em Nova Iorque, pelo menos dois empréstimos ainda por saldar na Caixa Geral de Depósitos, um apartamento no Parque das Nações. A que se juntam ainda os salários de um assessor e dois advogados, além das custas judiciais nos diversos recursos e ações que tem interposto. Sócrates garantiu sempre que não tinha meios de fortuna e disse até que vendeu o prédio na rua Braamcamp para poder abater na dívida a Carlos Santos Silva.
Na operação de ontem, estiveram envolvidos vários magistrados e foram apreendidos diversos documentos.
Estiveram ainda no terreno elementos da PSP e da Inspeção Tributária. O objetivo era apreender documentos para consolidar as suspeitas. Não terão sido feitos novos arguidos.
A operação Marquês parece estar longe do seu final. O prazo definido pelo diretor do DCIAP – que apontava para o mês de setembro – poderá agora ser alargado.